A semana mundial da amamentação terminou semana passada, mas o assunto continua sempre atual. O tema desse ano (2023) foi da amamentação na volta ao trabalho e se eu tivesse que escolher dentro da amamentação um só assunto pra falar (difícil), esse seria um dos que entraria na disputa com certeza.
A volta ao trabalho pra mãe que amamenta é carregada de incertezas, cobranças e problemas. Mas vamos começar do começo? Os benefícios de amamentar são gigantes, tanto para a pessoa lactante quanto para o lactente, mas exige um custo grande, emocional, físico, temporal da pessoa que amamenta. Só que os benefícios não são exclusivos do lactente, a sociedade inteira se beneficia e é por isso, que a sociedade, as empresas, o governo e toda a rede de apoio tem que estar junto e consciente da importância da amamentação como política pública de saúde.
Pra falar de amamentação na volta ao trabalho, então, temos que pensar em como será esse retorno. Estabilidade no emprego, licença-maternidade, licença-amamentação, são direitos trabalhistas criados para garantir o retorno tendo cuidado dos primeiros meses do bebê com dedicação integral. Para as profissionais liberais é muito mais complicado, muitas acabam voltando a trabalhar ainda nas primeiras semanas do bebê, em pleno puerpério mais puxado.
Mas a volta ao trabalho da mãe que amamenta não se resume aos direitos trabalhistas, ou a um mínimo de dignidade no retorno, como, por exemplo, locais decentes para ordenha e refrigeração de leite humano, preparação dos governos, empresas, empregadores e colegas – o que por si só já dá bastante assunto para discussão – mas também a preparação psicológica e física para o retorno tanto da lactante quanto da rede de apoio primária.
Agora uma pausa, devemos lembrar que, segundo a OMS, a recomendação é de aleitamento EXCLUSIVO até os 6 meses e, após a introdução alimentar, o leite humano ainda é o principal alimento do bebê até 1 ano de idade.
Assim, normalmente, o retorno ao trabalho se dá quando o aleitamento ainda é exclusivo ou ao menos (nos casos das empresas com título de “cidadã”) logo após o início da introdução alimentar, quando o leite ainda é primordial à alimentação do bebê.
E não se pode cobrar exclusivamente da mãe, portanto, e como bem demonstrou a campanha da Semana Mundial de Amamentação, a responsabilidade pela manutenção da lactação com o retorno ao trabalho.
Mas o que pode ser feito, então? Se informar, se preparar, se possível com antecedência ao retorno, seja procurando um Banco de Leite Humano, uma consultora de lactação, ou buscando informações em fontes confiáveis.
Começar a ordenha antes do retorno, aprender sobre a forma de oferta na ausência da mãe, de preferência com o cuidador que ficará responsável pelo bebê treinando por um tempo antes do retorno para ver com qual forma se adapta melhor e qual ferramenta atrapalha menos a amamentação.
Lembrar que é preciso rotina na prática da ordenha para manter a produção de leite mesmo com diminuição das mamadas diurnas.
Pensar no cuidado com o bebê, a escolha por creche, babá, parente, também é difícil e causa ansiedade, por isso precisa ser discutida com rede de apoio e de preferência tendo a mãe confiança na forma escolhida. E é claro que poder escolher, por si só, já é um privilégio, mas não significa que será fácil. A ambiguidade da maternidade se manifesta em todos os momentos, afinal. Por isso é importante fazer uma escolha consciente e informada, dadas as condições concretas e lembrar que sempre é possível rever a decisão. Ninguém precisa se comprometer com suas escolhas pro resto da vida.
Detalhes como higiene dos frascos, das mãos, rotulagem, bombas para ordenha, forma de armazenamento, além de forma de oferta podem ser explicadas no Banco de Leite, por uma consultora, e podem até mesmo ser encontradas facilmente na internet em grupos de apoio à amamentação (lembrando de procurar em fontes confiáveis), mas não dispensam a reflexão sobre o custo de continuar amamentando na volta ao trabalho, bem como os benefícios.
E essa decisão deve ser SEMPRE da pessoa que amamenta. Claro, para isso deve ser uma decisão bem informada, pensada e discutida com o companheiro/companheira e/ou com a rede de apoio, mas a palavra final deve ser da mãe.
E por fim, lembrar que, mesmo com apoio do empregador/local de trabalho – quando fornece local adequado para ordenha e armazenamento do leite – do companheiro/companheira – que divida as tarefas domésticas e com o bebê e realmente apoie a amamentação – há muitos obstáculos que podem atrapalhar a amamentação e até eventualmente causar um desmame precoce: bicos artificiais, medos e mitos, ansiedade e estresse, palpites e falta de apoio.
Por isso devemos lembrar sempre: amamentar é um ato político e informação de qualidade é imprescindível e ninguém é menos mãe por não amamentar, se você não conseguiu amamentar na volta ao trabalho, meu abraço mais apertado, não é culpa sua! Agora, se quiser continuar amamentando, se prepare bastante, se cerque de informações confiáveis e exija seus direitos!!
A semana mundial da amamentação terminou semana passada, mas o assunto continua sempre atual. O tema desse ano (2023) foi da amamentação na volta ao trabalho e se eu tivesse que escolher dentro da amamentação um só assunto pra falar (difícil), esse seria um dos que entraria na disputa com certeza.
A volta ao trabalho pra mãe que amamenta é carregada de incertezas, cobranças e problemas. Mas vamos começar do começo? Os benefícios de amamentar são gigantes, tanto para a pessoa lactante quanto para o lactente, mas exige um custo grande, emocional, físico, temporal da pessoa que amamenta. Só que os benefícios não são exclusivos do lactente, a sociedade inteira se beneficia e é por isso, que a sociedade, as empresas, o governo e toda a rede de apoio tem que estar junto e consciente da importância da amamentação como política pública de saúde.
Pra falar de amamentação na volta ao trabalho, então, temos que pensar em como será esse retorno. Estabilidade no emprego, licença-maternidade, licença-amamentação, são direitos trabalhistas criados para garantir o retorno tendo cuidado dos primeiros meses do bebê com dedicação integral. Para as profissionais liberais é muito mais complicado, muitas acabam voltando a trabalhar ainda nas primeiras semanas do bebê, em pleno puerpério mais puxado.
Mas a volta ao trabalho da mãe que amamenta não se resume aos direitos trabalhistas, ou a um mínimo de dignidade no retorno, como, por exemplo, locais decentes para ordenha e refrigeração de leite humano, preparação dos governos, empresas, empregadores e colegas – o que por si só já dá bastante assunto para discussão – mas também a preparação psicológica e física para o retorno tanto da lactante quanto da rede de apoio primária.
Agora uma pausa, devemos lembrar que, segundo a OMS, a recomendação é de aleitamento EXCLUSIVO até os 6 meses e, após a introdução alimentar, o leite humano ainda é o principal alimento do bebê até 1 ano de idade.
Assim, normalmente, o retorno ao trabalho se dá quando o aleitamento ainda é exclusivo ou ao menos (nos casos das empresas com título de “cidadã”) logo após o início da introdução alimentar, quando o leite ainda é primordial à alimentação do bebê.
E não se pode cobrar exclusivamente da mãe, portanto, e como bem demonstrou a campanha da Semana Mundial de Amamentação, a responsabilidade pela manutenção da lactação com o retorno ao trabalho.
Mas o que pode ser feito, então? Se informar, se preparar, se possível com antecedência ao retorno, seja procurando um Banco de Leite Humano, uma consultora de lactação, ou buscando informações em fontes confiáveis.
Começar a ordenha antes do retorno, aprender sobre a forma de oferta na ausência da mãe, de preferência com o cuidador que ficará responsável pelo bebê treinando por um tempo antes do retorno para ver com qual forma se adapta melhor e qual ferramenta atrapalha menos a amamentação.
Lembrar que é preciso rotina na prática da ordenha para manter a produção de leite mesmo com diminuição das mamadas diurnas.
Pensar no cuidado com o bebê, a escolha por creche, babá, parente, também é difícil e causa ansiedade, por isso precisa ser discutida com rede de apoio e de preferência tendo a mãe confiança na forma escolhida. E é claro que poder escolher, por si só, já é um privilégio, mas não significa que será fácil. A ambiguidade da maternidade se manifesta em todos os momentos, afinal. Por isso é importante fazer uma escolha consciente e informada, dadas as condições concretas e lembrar que sempre é possível rever a decisão. Ninguém precisa se comprometer com suas escolhas pro resto da vida.
Detalhes como higiene dos frascos, das mãos, rotulagem, bombas para ordenha, forma de armazenamento, além de forma de oferta podem ser explicadas no Banco de Leite, por uma consultora, e podem até mesmo ser encontradas facilmente na internet em grupos de apoio à amamentação (lembrando de procurar em fontes confiáveis), mas não dispensam a reflexão sobre o custo de continuar amamentando na volta ao trabalho, bem como os benefícios.
E essa decisão deve ser SEMPRE da pessoa que amamenta. Claro, para isso deve ser uma decisão bem informada, pensada e discutida com o companheiro/companheira e/ou com a rede de apoio, mas a palavra final deve ser da mãe.
E por fim, lembrar que, mesmo com apoio do empregador/local de trabalho – quando fornece local adequado para ordenha e armazenamento do leite – do companheiro/companheira – que divida as tarefas domésticas e com o bebê e realmente apoie a amamentação – há muitos obstáculos que podem atrapalhar a amamentação e até eventualmente causar um desmame precoce: bicos artificiais, medos e mitos, ansiedade e estresse, palpites e falta de apoio.
Por isso devemos lembrar sempre: amamentar é um ato político e informação de qualidade é imprescindível e ninguém é menos mãe por não amamentar, se você não conseguiu amamentar na volta ao trabalho, meu abraço mais apertado, não é culpa sua! Agora, se quiser continuar amamentando, se prepare bastante, se cerque de informações confiáveis e exija seus direitos!!
Fontes:
http://www.ibfan.org.br/site/noticias/semana-mundial-de-aleitamento-materno-2023.html
https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/cartilha_mae_trabalhadora_amamenta.pdf
http://www.casaangela.org.br/pdf/Cartilha-Retorno-Trabalho.pdf
https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/cartilha_mae_trabalhadora_amamenta.pdf
http://www.casaangela.org.br/pdf/Cartilha-Retorno-Trabalho.pdf
Camila Modena

❤️Eu amo café☕️, adoro bater papo e jogar conversa fora, especialmente se for dos meus assuntos favoritos (spoilers: maternagem é um deles). Sou APAIXONADA pela vida e por gente, e sou encantada por crianças e mulheres e as transformações vividas por elas.
🤣Adoro dar risada (e sou conhecida pela minha gargalhada escandalosa), sou muito privilegiada e grata pela minha vida e pela minha família.
🌈Sou encantada por famílias em todas as suas diversidades. Em luta antirracista, anticapacitista, por um feminismo inclusivo e contra todas as opressões, de forma permanente.
🚧 Estou em eterna desconstrução, aprendiz da vida, e busco passar meu conhecimento 📚 e minha escuta ativa ❤️🩹 para auxiliar famílias desde a gestação.
🧒🏼👦🏻👶🏼 Sou mãe de 3 meninos maravilhosos e acredito totalmente que a cura do machismo passa por uma criação feminista.
⚖️ Sou formada em Direito e continuo advogando até hoje
🤰🏻A maternagem me atravessou e me virou do avesso completamente. Desde meu primeiro bebê 👼🏼 que perdi ainda antes do meu filho mais velho.
🤱🏻A amamentação foi um assunto que me escolheu sem eu ter escolhido e hoje é um dos pilares do meu atendimento.
Espero que nos encontremos!
Abraços!
Camila Modena
🤰🏻Educadora Perinatal
🤱🏻Consultora em lactação
🤱🏻Doula de pós parto
🎨 Artista gestacional e de amamentação
@puruaye

