Shantala – um elo entre mãe e filho

Você pode já ter ouvido falar sobre massagem para bebês mas talvez não por esse nome – Shantala. Na verdade, esse é o nome de uma mulher indiana que o médico francês Fredérick Leboyer encontrou em uma de suas viagens à Calcutá, na década de 70. 

Leboyer, precursor do parto humanizado,  encantou-se quando a viu sentada no chão massageando um bebê e passou a observá-la por vários dias. Pediu permissão para fotografá-la e o fez. Mais tarde, já no Ocidente, descreveu a massagem em um livro, cuidando para que sua forma e objetivo fossem preservados, e deu à massagem o nome da própria indiana – SHANTALA.

A massagem tem inúmeros benefícios para os bebês já muito citados em sites e perfis de profissionais que aplicam ou ensinam a técnica, como: auxílio no funcionamento do intestino e alívio das cólicas, estímulo do desenvolvimento sensório-motor, relaxamento e melhora da qualidade do sono e cultivo do vínculo mãe-bebê. 

Os três primeiros parecem bem óbvios, quando conhecemos as manobras e movimentos aplicados, mas quando se trata de vínculo mãe-bebê ainda pairam algumas dúvidas.

Do que se trata especificamente quando falamos de vínculo ou conexão entre um bebê e seus cuidadores ? 

E como uma simples massagem poderia estar relacionada a questões de parentalidade ou relacionamento entre pais e filhos ?

Vamos começar do começo.

O bebê quando estava dentro do útero da mãe, percebia sua presença 24 horas por dia. Seus movimentos, os sons do seu corpo e sua voz, sofria os efeitos de seu estado emocional e tinha todas as suas necessidades supridas. Depois do nascimento, o bebê passa a experimentar sensações desconhecidas, como: fome, sede, frio, sono, calor, dor, além da ausência da mãe que não está mais ligada ao seu corpo. 

O mundo virou um deserto !

Ao mesmo tempo, para mãe era muito simples cuidar do bebê ainda na barriga. Agora suas necessidades são diferentes e é muito difícil identificá-las. Essa é uma etapa de adaptação para ambos onde a paciência e a sensibilidade são essenciais.

É efetivamente depois do nascimento que mãe e bebê vão se conhecer e começar a estabelecer uma comunicação. Assim, se forma o chamado vínculo mãe-bebê, na convivência do dia a dia, aprendendo um sobre o outro.

Respeitar, ouvir, observar, interpretar são as atitudes que nos levam a compreender a linguagem dos bebês e é exatamente isso que a Shantala nos proporciona.

A massagem após o nascimento é a continuidade do contato íntimo entre a mãe e o bebê. É a manutenção do aconchego e do conforto necessários para que o bebê possa sentir-se amado e protegido. É a forma do bebê sentir que, fora do útero, continua sendo acolhido e mantido pela mesma energia que o supriu durante os nove meses iniciais de sua existência.

É muito mais que terapêutica, é uma integração fisiológica natural e consciente, que permite ao bebê suportar o trauma do parto, no qual ele passa de um ambiente de proteção total para um ambiente totalmente desconhecido. 

Por meio do contato amoroso e carinhoso da mãe, o bebê volta a adquirir a confiança necessária que o tornará uma criança feliz e saudável.

Vamos ver o que diz um trecho do livro do próprio Leboyer sobre a necessidade de contato do bebê.

“…Ser levados, embalados, acariciados, pegos, massageados constitui para os bebês, alimentos tão indispensáveis, senão mais, do que vitaminas, sais minerais e proteínas. Se for privada disso tudo e do cheiro, do calor e da voz que ela conhece bem, mesmo cheia de leite, a criança vai deixar-se morrer de fome… “

Aqui está o verdadeiro propósito da Shantala – servir de alimento para o bebê tanto quanto o leite que o sustenta.

Mas para que isso tudo aconteça a massagem não pode ser ensinada como algo que a mãe faz no ou para o bebê. É preciso aprender a conduzir a Shantala como uma conversa ou uma dança, onde os dois precisam estar de acordo.

Algo que não te prenda a um manual e nem crie expectativas quanto aos resultados terapêuticos, mas sim, algo que possibilite que mãe e filho se conheçam aos poucos, se conectem e criem lindas memórias juntos.

Os efeitos da Shantala em relação ao vínculo com o bebê beneficiam situações e fases do maternar onde essa conexão pode ter sido afetada, como: impossibilidade de amamentar ou desmame precoce, afastamento do bebê na volta ao trabalho, bebês prematuros que passaram por internação prolongada e em mães com diagnóstico de Depressão Pós-Parto.

Diante de tudo isso, posso afirmar com segurança que o cultivo do vínculo com o bebê é uma das coisas mais importantes do maternar, todo o restante se ajeita. 

Todos os envolvidos ganham. É incrível para os bebês, e talvez,  melhor ainda para as mulheres que ganham uma “ferramenta” que ajuda a curtir o bebê enquanto espera a mãe que está nascendo dentro dela chegar com calma.

Todo meu carinho e até breve.

Adriana Souza

Fisio, metida a escritora e mãe aprendiz da Bel. Adoro comidinhas, vinho e livros.

Amante do universo materno-infantil e defensora da ideia de um maternar livre de expectativas, fazendo nosso melhor só por hoje, um dia de cada vez, onde vemos nosso “nascer mãe” florescer através do vínculo com nossos filhos.

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