Pontos importantes para você saber sobre amamentação

A amamentação é um dos primeiros e mais importantes vínculos entre mãe e
bebê. A amamentação oferece uma série de benefícios inestimáveis tanto para o
bebê quanto para a mãe. É um elo vital que vai além da nutrição, contribuindo para
o desenvolvimento saudável e o bem-estar de ambos. Os benefícios da
amamentação são vastos e abrangentes, os proveitos para o bebê envolvem:

  1. Nutrição completa: O leite materno é um alimento ideal, repleto de nutrientes
    essenciais que atendem às necessidades do bebê nos primeiros meses de vida.
  2. Fortalecimento imunológico: O leite materno é rico em anticorpos e células
    imunológicas, protegendo o bebê contra infecções e doenças.
  3. Desenvolvimento cerebral: Componentes como o DHA no leite materno têm um
    papel crucial no desenvolvimento do cérebro e do sistema nervoso.
  4. Digestão facilitada: O leite materno é mais facilmente digerido pelo sistema
    gastrointestinal sensível do bebê, reduzindo o risco de desconfortos e alergias.
  5. Vínculo emocional: A amamentação fortalece o vínculo entre mãe e bebê,
    promovendo segurança emocional e desenvolvimento social.

E a amamentação para a mãe também tem inúmeras vantagens, como:

  1. Recuperação pós-parto:A amamentação ajuda o útero a retornar ao seu tamanho
    normal mais rapidamente e pode auxiliar na perda de peso pós-parto.
  2. Proteção contra doenças: A amamentação reduz o risco de câncer de mama e
    ovário, além de ajudar a prevenir a osteoporose.
  3. Ligação emocional: O ato de amamentar proporciona uma ligação íntima entre
    mãe e bebê, promovendo a liberação de hormônios que reforçam o vínculo.
  4. Facilitação do dia a dia: O leite materno está sempre pronto, na temperatura certa
    e livre de custos, simplificando a rotina da mãe.
  5. Satisfação pessoal: A amamentação pode proporcionar um senso profundo de
    realização e satisfação, contribuindo para a autoestima da mãe.

Em resumo, os benefícios da amamentação são amplos e impactam
positivamente a saúde física, emocional e o desenvolvimento de bebês e mães,
estabelecendo uma base sólida para um começo saudável e uma conexão
duradoura.
Quando se fala em amamentação, um dos aspectos cruciais é a pega
correta. A pega adequada ajuda a garantir que o bebê obtenha o leite de maneira
eficiente e confortável, evitando problemas comuns, como dor e fissuras nos
mamilos.
A pega correta é fundamental para o sucesso da amamentação. Isso envolve
posicionar o bebê de forma a permitir que ele abocanhe tanto o mamilo quanto parte
da aréola. Uma pega inadequada pode resultar em desconforto para a mãe e
dificuldades para o bebê em extrair o leite de forma eficaz. Buscar orientação
profissional, como de um consultor de amamentação, pode ser muito útil para
garantir uma pega adequada desde o início.
Apesar dos muitos benefícios, algumas mães podem enfrentar desafios
durante a amamentação. Um problema comum é a mastite, uma inflamação
dolorosa das glândulas mamárias. A mastite pode ocorrer devido a uma pega
inadequada ou pelo esvaziamento insuficiente das mamas.
Na maioria das vezes, a mastite se desenvolve nos 3 primeiros meses depois
do parto e afeta apenas um dos seios de cada vez, mas ela pode ocorrer até 2 anos
depois do nascimento do bebê. É fundamental reconhecer os sintomas
precocemente, como dor intensa, vermelhidão e febre, e procurar orientação médica
para evitar complicações.
Evitar a mastite e aliviar os sintomas do ingurgitamento mamário são
preocupações importantes para garantir uma experiência de amamentação tranquila
e saudável. Aqui estão algumas medidas que podem ser adotadas para prevenir a
mastite:

  1. Pega Correta: Assegure-se de que o bebê esteja fazendo uma pega adequada
    durante a amamentação. Uma pega correta ajuda a esvaziar eficazmente as mamas
    e evita o acúmulo de leite.
  2. Amamentação Frequente: Alimente o bebê com frequência e sempre que ele
    mostrar sinais de fome. Isso ajuda a evitar a congestão mamária.
  3. Esvaziamento das Mamas: Certifique-se de esvaziar completamente uma mama
    antes de alternar para a outra. Isso ajuda a prevenir o acúmulo excessivo de leite.
  4. Variação de Posições: Experimente diferentes posições de amamentação para
    garantir que todas as áreas das mamas sejam esvaziadas adequadamente.
  5. Evite Pressionar as Mamas: Evite usar sutiãs muito apertados ou roupas que
    exerçam pressão sobre as mamas, pois isso pode dificultar o fluxo de leite.

Lembre-se de que a prevenção e o alívio dos sintomas requerem atenção e
cuidado contínuos. Assim, se você sentir que está enfrentando mastite ou
ingurgitamento mamário persistente, avise seu médico e avalie a necessidade de
tratamento específico! Eu sei que pode ser difícil ter que passar por um tratamento
de mastite, mas, se conseguir, continue amamentando, isso ajudará seu tratamento,
além de manter todos os benefícios para você e seu bebê.
A mastite pode ser dolorosa e aumenta as chances da descontinuação da
amamentação, mas na maioria dos casos, a amamentação deve ser mantida e esse
ato ajuda no tratamento e não prejudica em nada a saúde do bebê. É fundamental
buscar suporte emocional e médico para manter a amamentação, e para interferir o
mínimo possível nesse momento tão único e especial que é amamentar.
A ordenha do leite materno pode ser uma solução para situações em que a
mãe precisa se ausentar. Utilizar uma bomba de leite (seja manual ou elétrica) e
seguir boas práticas de higiene é importante para garantir a qualidade do leite
coletado. Armazenar o leite adequadamente em recipientes próprios e etiquetados,
com data e hora da coleta, é essencial para manter a segurança alimentar do bebê.
A volta ao trabalho pode ser um desafio para muitas mães que desejam
manter a amamentação. Planejar antecipadamente é fundamental. Comunicar as
necessidades de amamentação ao empregador, criar um local confortável para a
ordenha e estabelecer uma rotina de ordenha no trabalho podem ajudar a manter a
produção de leite e a conexão com o bebê.
Por isso, é imprescindível se informar sobre como fazer seu estoque de leite
materno e se preparar para a volta ao trabalho com mais tranquilidade. E não se
esqueça: beba bastante água, se alimente bem e peça ajuda sempre que precisar.
Aqui estão algumas dicas para ajudar no processo de ordenha e estoque de leite:

1 – Quando começar?

  • recomenda-se iniciar a ordenha e coleta de leite pelo menos de 15 a
    30 dias antes da volta ao trabalho.
  • ordenhar de manhã quando a mama esta mais cheia garante um
    volume maior de leite. Após a primeira mamada do dia, é possível
    ordenhar a outra mama.
  • Procure ordenhar sempre no mesmo horário, pois o corpo “aprende” a
    produzir aquela quantidade adicional depois de 2-3 dias de rotina.
  • Procure ordenhar leite quando estiver fora, nos mesmos horários das
    mamadas, para repor o seu estoque! O leite deve ser transportado em
    uma térmica com gelo e você pode usar o leite imediatamente, guardar
    na geladeira ou congelar.

2 – Como ordenhar?

  • Em local limpo, com utensílios esterilizados, cabelos presos e mãos
    higienizadas.
  • Massagear previamente as mamas endurecidas antes de colocar a
    bomba, para não machucar.
  • A ordenha não pode doer, use até a intensidade que garante um bom
    fluxo de leite, mas que não te machuque.
  • O estímulo emocional ajuda a liberar ocitocina e ejetar o leite: olhe
    para o bebê, veja uma foto ou pense nele!

3 – Como armazenar?

  • Em saquinhos ou potes específicos para armazenar leite materno. Os
    saquinhos ocupam menos espaço no freezer e descongelam mais
    rápido. Deixe um dedo livre na embalagem, pois o leite materno
    expande quando congela.
  • Anote sempre a data da coleta para ficar de olho na validade.
  • Armazene em pequenas quantidades para evitar desperdício. Porções
    de cerca de 60 a 120ml.
  • Você pode misturar leite de diferentes horários e dias no mesmo frasco
    até acumular o volume desejado para uma “porção/mamada”. Se o
    leite já estiver congelado, não tem problema, abra o frasco e adicione
    o leite fresco sobre o que já esta no pote”.
  • Para frascos com leites de diferentes momentos, a validade é contada
    a partir do primeiro leite que estiver no frasco.

4 – Por quanto tempo

  • Seguindo a recomendação do Ministério da Saúde você pode guardar
    o leite materno na geladeira por 12 horas e no freezer por 15 dias
  • Em outros países a recomendação é diferente, por exemplo nos
    Estados Unidos, você pode deixar na geladeira por até 4 dias a 4
    graus (na primeira prateleira e no fundo, não pode ser na porta da
    geladeira) ou no freezer por até 6 meses (a -18 graus).

5 – Como oferecer ao bebê?

  • você pode descongelar trazendo o leite do freezer para o refrigerador
    (geralmente na noite anterior) ou colocando em recipiente com água
    morna. Não se deve descongelar no microondas!
  • E você pode aquecer o leite colocando em recipiente com água morna
    (como banho maria).
  • Você pode deixar o leite descongelado até 24h na geladeira.
  • Uma vez descongelado não se pode congelar novamente o leite
    materno. Uma vez descongelado e aquecido, o consumo deve ser
    imediato.
  • Se o seu bebê não terminou a mamadeira, a sobra do leite deve ser
    usado dentro de 2 horas.

Em resumo, a amamentação oferece inúmeros benefícios tanto para o bebê
quanto para a mãe. A pega correta é crucial para evitar problemas e tornar a
experiência de amamentar mais confortável. Caso problemas como a mastite
surjam, é importante buscar ajuda médica. A ordenha adequada e o planejamento
da volta ao trabalho podem permitir que a mãe continue oferecendo o leite materno
mesmo quando não está presente, fortalecendo o vínculo com seu bebê e
promovendo sua saúde a longo prazo.
A rede de apoio desempenha um papel fundamental no sucesso da
amamentação. Quando uma mãe está cercada por pessoas que a compreendem,
apoiam e incentivam, sua jornada de amamentação se torna mais tranquila e
gratificante. Além disso, a presença de uma rede de apoio compreensiva contribui
para reduzir o estresse e a ansiedade da mãe, criando um ambiente positivo para a
amamentação. Ao oferecer suporte emocional e auxiliar nas tarefas práticas, a rede
de apoio cria um ambiente propício para que a mãe se sinta confiante e capacitada
em sua jornada de amamentação.
Apoiar a mãe na amamentação também permite que ela tenha tempo para
cuidar de si mesma, descansar adequadamente e manter uma alimentação
equilibrada. Esses aspectos são essenciais para sua própria saúde e bem-estar, o
que, por sua vez, influencia positivamente a qualidade e a quantidade do leite
materno produzido.
A jornada da amamentação não é isenta de desafios, mas cada obstáculo
superado fortalece o vínculo entre mãe e bebê. É um momento de intimidade
compartilhada e um lembrete da nossa capacidade de dar e receber amor da forma
mais pura e genuína. Portanto, abrace esse momento único e aproveite essa
conexão de carinho e amor profundo entre mãe e bebê

Dra. Thaís Roque

2019 – Preceptora de Mastologia no Hospital das Clinicas da Faculdade de Medicina da USP (HCFMUSP) / Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (ICESP)

Membro da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM)

Título de Especialista Mastologia – TEMA realizado pela Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM)

Residência Médica em Mastologia no Hospital das Clinicas da Faculdade de Medicina da USP (HCFMUSP) / Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (ICESP)

2018 – Estágio Observacional no Breast Care Center do Beth Israel Deaconess Medical Center (BIDMC) / Harvard Medical School

Título de Especialista em Ginecologia e Obstetrícia – TEGO realizado pela Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO)

Residência Médica em Obstetrícia e Ginecologia no Hospital das Clinicas da Faculdade de Medicina da USP (HCFMUSP)

Graduação em Medicina na Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo (FCMSCSP)

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