Não é segredo que, durante o processo de desenvolvimento de produtos, empresas testam os mesmos com diversas pessoas de diversas idades, incluindo crianças.
Mas você já se perguntou por que isso acontece?
Muitas vezes, crianças são utilizadas em projetos onde há a necessidade de uma opinião sincera e menos enviesada pelo lado moralmente correto.
O poder de descoberta das crianças é inerente às mesmas, e deve ser estimulado em toda sua vida, pois dessa forma elas produzem uma maior compreensão e interpretação do mundo. Em seu universo fantástico, a criança pode assumir o papel do pai, da mãe, da bruxa má e tudo mais que sua mente deseja, explorando assim as relações sociais. As possibilidades são infinitas, e tudo pode ser construído.
Quando pensamos a partir do ponto de vista do Design, observamos uma relação direta entre a mente do designer e da criança, já que ambas constroem ideias e ações a partir de sua visão de mundo.
Constantemente o designer deve pensar fora da caixa, fora da visão comum. Segundo um estudo intitulado A criança e o design – aprender brincando, “as atividades de design se assemelham aos jogos e brincadeiras e possuem um valor educacional tão grande quanto eles e também permitem oferecer às crianças e jovens idéias e ideais corretos e adequados sobre a vida cotidiana e sobre a cultura material. “Desenhar” e “construir” coisas pode ser também um modo de brincar e assim, de interagir com o ambiente e com os outros.”
Quando trazemos a criança ao processo de design, precisamos entender de que forma ela dá significado e interage com as coisas, e aplicar esse resultado ao assunto que está sendo estudado.
Segundo um estudo sobre a participação das crianças no design, devido ao estágio de desenvolvimento cognitivo em que se encontra, a criança nem sempre consegue expressar, da mesma maneira que o adulto, ideias abstratas.
Isso se torna um prato cheio para o designer, que busca constantemente pensar sobre as ideias abstratas através de diferentes interpretações.
A capacidade de representação infantil junta a interpretação do mundo à criatividade e imaginação, trazendo à tona elementos que nós adultos – mais presos a regras sociais – deixamos passar despercebidos.
Dessa forma, conseguimos ver que nossas crianças passam pelo processo de pensamento fora da caixa que o design exige, e que elas ainda conseguem desenvolver tudo isso de forma lúdica e divertida, sem esforço algum.
Portanto, quando estiver com um bloqueio criativo, que tal consultar uma criança?
Referências: http://www.avaad.ufsc.br/moodle/prelogin/publicarartigos/323.pdf
http://copec.eu/congresses/icece2003/proc/pdf/T132.pdf

